A curta metragem da Maior Flor do Mundo foi realizada pelo realizador galego, Juan Pablo Etcheverry, em 2006, e foi narrada pelo próprio José Saramado. Este filme de animação tem a banda sonora de Emilio Aragón que pela mesma recebeu o Prémio Amigos da Música de Badalona para a melhor música original. O filme foi, também, nomeado em 2008 para o prémio a Melhor Curta-metragem de Animação nos Goya, e teve um grande êxito em outros festivais como: Tokyo Global Environmental Film Festival, Anchorage International Film Festival de Alaska e no Festival Internacional de Cine Ecológico e Natureza das Canarias.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
A Maior Flor do Mundo, Saramago e eu...
Em 2003, numa visita à Feira do
livro de Lisboa, encontrei Saramago no pavilhão da editora Caminho a autografar
os seus livros.
Não trazia nenhum, não sabia que Saramago ia estar na Feira
naquele dia. Comprei o Ensaio
sobre a Cegueira e A Maior Flor do Mundo para a minha filha, Maria.
Fui para a enorme fila e esperei
pela minha vez. José Saramago
estava com um ar cansado e sem grandes sorrisos. Quando chegou a minha vez, autografou o Ensaio sobre a
Cegueira sem quase olhar para mim, mas quando lhe entreguei A Maior Flor do Mundo, olhou-me a
sorrir e perguntou;
_ Para quem é este livro?
_ É para a minha filha, Maria. Já
tem um, mas agora comprei outro para ficar com o seu autógrafo.
_ É pequenina a sua filha? Já leu
o livro?
_ Tem 4 anos, já lhe li o livro. Gostou de como o menino
salvou a flor.
_ Então vou desenhar uma flor
para a Maria!
Saramago desenhou uma flor no
livro da Maria, levantou-se e deu-me um beijo. As pessoas da fila devem ter
pensado que o conhecia, porque não deu um beijo a mais ninguém. Foi muito
engraçado.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
A Maior Flor do Mundo e a BD
No passado ano letivo trabalhei, com o 8º Ano, a Banda Desenhada. Os alunos de uma das turmas escolheram A Maior Flor do Mundo para fazerem a sua interpretação da história em Banda Desenhada. Aqui fica a BD da Carina.
domingo, 6 de janeiro de 2013
A Maior Flor do Mundo e João Caetano
José Saramago começa a Maior Flor do Mundo dizendo não saber escrever histórias para crianças. Afinal não era verdade. Esta história é fantástica para as crianças de todas as idades. Mesmo para as que não sabem ler.
João Caetano ilustrou a história de forma a que o leitor vá imaginando as suas leituras a partir do imaginário das suas ilustrações.
Saramago começa pequenino, lá ao fundo escrevendo, e vai crescendo, crescendo, com a história.
No final, ficamos com vontade de correr atrás das últimas imagens para ver que mais histórias escondem...

João Caetano nasceu em Moçambique, em 1962, e tem o curso de Pintura da Escola Superior de Belas Artes do Porto. Começou a sua atividade ligado à Banda Desenhada. Em 1980, participou no programa televisivo Animação, da autoria de Vasco Granja, e foi premiado em concursos de banda desenhada promovidos pela ESBAL e pelo Diário de Notícias. Desenvolve profissionalmente a actividade de ilustrador, desde 1981. Colaborou em mais de 50 títulos no âmbito do livro escolar. Ilustrou cerca de 20 títulos na área do livro infanto-juvenil, em Portugal e Espanha. A par com esta atividade tem participado em diversas exposições de pintura. Integrou o catálogo The Best of..., no Concurso de Ilustração do BIB, Checoslováquia, em 1995. Participou no seminário Design Pr'Amanhã, realizado pela Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Portalegre, em 1999. Recebeu Menções Honrosas do Prémio Nacional de Ilustração pelas ilustrações dos livros Os Mais Belos Contos Tradicionais - Ed. Civilização, em 1998, e Conto Estrelas em Ti - Ed. Campo das Letras, em 2000; foi-lhe atribuída ainda uma Menção Especial do concurso Scarpetta d'Oro, em Itália, em 2000 e o Prémio Nacional de Ilustração em 2001. Tem colaborado com Bibliotecas Municipais e escolas do ensino básico em actividades culturais de âmbito diversificado.
Fonte: Caminho Editora
sábado, 5 de janeiro de 2013
Saramago, só nos anos oitenta
No 12ºano, nos anos oitenta, no liceu de Silves, a Escola Industrial e Comercial de Silves, o professor de Literatura Portuguesa trabalhava connosco a obra de Fernando Pessoa. Quando começámos a analisar os heterónimos, o professor decidiu trazer um livro que andava a ler. Tinha-o em cima da secretária. Levantou-o e apresentou-nos o livro e o autor, assim: "O Ano da Morte de Ricardo Reis é a obra de um escritor que vai dar que falar, estejam atentos." Comprei mais tarde o livro, foi o meu primeiro livro de Saramago, talvez não muito adequado para a idade que tinha.
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| A escola hoje... quase igual. |
Só voltei a ouvir falar deste autor uns anos mais tarde na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. Dava uma palestra e havia muita gente...pensei que deveria começar a ler a sua obra. Foi assim... devagar.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
"E agora José?"- Crónica
No livro de crónicas, A Bagagem do Viajante, Saramago refere o poema de Carlos Drummond de Andrade como algo importante na sua vida, porque também se chama José e porque, ao longo da sua vida, se questionou diversas vezes, desta maneira, nos momentos de desconforto: "E agora, José?". Dedica também esta questão a todos os Josés desta vida que chegaram ao limite das suas forças, que foram esmagados pela vida que lhes aconteceu ou que escolheram.
" Há versos célebres que se transmitem através das idades do homem, como roteiros, bandeiras, cartas de marear, sinais de trânsito, bússolas - ou segredos. Este, que veio ao mundo muito depois de mim, pelas mãos de Carlos Drummond de Andrade, acompanha-me desde que nasci, por um desses misteriosos acasos que fazem do que viveu já, do que vive e do que ainda não vive, um mesmo nó apertado e vertiginoso de tempo sem medida. Considero privilégio meu dispor deste verso, porque me chamo José e muitas vezes na vida me tenho interrogado: "E agora?". Foram aquelas horas em que o mundo escureceu, em que o desânimo se fez muralha, fosso de víboras, em que as mãos ficaram vazias e atónitas. " E agora, José?" Grande, porém é o poder da poesia para que aconteça, como juro que acontece, que esta pergunta simples aja como um tónico, um golpe de espora, e não seja, como poderia ser tentação, o começo da interminável ladainha que é a piedade por nós próprios.(...)
Mas outros Josés andam pelo mundo, não o esqueçamos nunca. A eles também sucedem casos, desencontros, acidentes, agressões, de que saiem às vezes vencedores, às vezes vencidos. Alguns não têm nada nem ninguém a seu favor, e esses são, afinal, os que tornam insignificantes e fúteis as nossas penas. A esses, que chegram ao limite das forças, acuados a um canto pela matilha, sem coragem para o último ainda que mortal arranco, é que a pergunta de Carlos Drummond de Andrade deve ser feita, como um derradeiro apelo ao orgulho de ser homem: "E agora, José?".
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
E agora, José?
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| Fundação José Saramago |
Os escritores são pessoas, mas têm a sorte de ficar por cá muito mais tempo do que nós...E isso reconforta-nos, pois não é todos os dias que temos um escritor desta envergadura. Com um espírito crítico e reflexivo que nos surpreende a cada instante. A desassossegar-nos!!
Porquê então este título no blogue? Ora, porque Carlos Drummond d'Andrade é um dos grandes nomes da poesia brasileira e sabemos como Saramago gostava de visitar aquele país, onde, com certeza, era bem recebido- basta ver as fotografias com Jorge Amado e Caetano Veloso, entre outros, no blogue da editora brasileira Companhia das Letras que para além de o editar, no Brasil, também lhe presta homenagem.
O título é, por isso, o poema de Drummond...E agora José?A mensagem do poema também é inequívoca: o José crítico e forte, de voz forte , sempre alerta, é o nosso homenageado, voz vigilante de um país que, se na altura, não o percebeu bem, agora vai lendo os avisos e as críticas com outra atitude. É preciso uma nova revolução, cultural e de valores, para ultrapassarmos o momento difícil em que vivemos. Temos direitos, mas também deveres, estes últimos lamentavelmente esquecidos, nas últimas décadas, por muita gente, incluindo por quem deveria dar o exemplo.
O título é, por isso, o poema de Drummond...E agora José?A mensagem do poema também é inequívoca: o José crítico e forte, de voz forte , sempre alerta, é o nosso homenageado, voz vigilante de um país que, se na altura, não o percebeu bem, agora vai lendo os avisos e as críticas com outra atitude. É preciso uma nova revolução, cultural e de valores, para ultrapassarmos o momento difícil em que vivemos. Temos direitos, mas também deveres, estes últimos lamentavelmente esquecidos, nas últimas décadas, por muita gente, incluindo por quem deveria dar o exemplo.
O Dia do Desassossego- Manifesto que a Fundação redigiu, no dia do seu aniversário, em novembro, resume esta forma de estar e de pensar do autor, tantas vezes incompreendido e mal-amado.
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